Tecnologia criada por alunas de MT para preservar patrimônios culturais disputa o Mundial de Robótica nos EUA
Um grupo de estudantes de Mato Grosso desenvolveu um pincel inteligente capaz de ajudar a preservar patrimônios culturais e artefatos históricos da arqueologia. A inovação foi criada por um grupo formado exclusivamente por meninas e garantiu a elas uma vaga para representar o Brasil no campeonato mundial de robótica, que será realizado nos Estados Unidos, nos dias 29 e 30 de abril e 1º e 2 de maio.
Pode parecer só um pincel… mas é muito mais do que isso! O Archeobrush é uma solução para um problema recorrente nas escavações arqueológicas e na limpeza de materiais frágeis ou históricos: o excesso de força aplicado manualmente nos artefatos. Já com a engenhoca das pesquisadoras vai ser possível medir a força do profissional aplicada durante o uso do pincel. Caso o limite seguro seja ultrapassado, um LED acende e um sinal sonoro é emitido, alertando o profissional de que o artefato pode estar sendo danificado.
O projeto foi desenvolvido porGisele Moraes,14 anos, Maria Fernanda, 14, Alice Calita,15, Carolina de Freitas,15, Gabrielle Cristina, 14, e Maísa Almeida 14, jovens inventoras integrantes da equipe de robótica Young Inventors, do Sesi Escola de Várzea Grande. A programadora e líder da equipe, Gisele, explica que o pincel foi criado para atender ao eixo Projeto de Inovação, um dos requisitos da modalidade de robótica FIRST LEGO League (FLL), uma das categorias que o grupo vai competir nos estados unidos.
Elas entram na disputa em busca do prêmio principal, o Champion’s Award, que coroa o grupo que possui o equilíbrio nas áreas de projeto de inovação, designer do robô, desempenho na mesa e Core Values, ou seja, os valores fundamentais da FIRST, considerando o trabalho em equipe, cooperação e inclusão.
“O eixo projeto de inovação incentiva os jovens a identificarem um problema para resolver. A solução construída vai ao encontro do tema da temporada 2025/2026: Unearthed, desafiando a gente a explorar arqueologia e a desenvolver soluções inovadoras para adversidades enfrentadas por profissionais durante a escavação”, pontua Gisele.
Testes em laboratórios e preço baixo
O Archeobrush passou por testes rigorosos em laboratórios e institutos brasileiras, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN),a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Instituto Homem Brasileiro (IHB), a Universidade Federal de Sergipe (UFS), o Departamento de Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS – DARQ), a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG – LEPAN) e a Oficina da Madeira. Os pesquisadores dessas instituições enviaram relatórios confirmando a eficácia da inovação.
O protótipo foi construído na sala Maker da escola, com a estrutura produzida em impressão 3D e a integração de componentes eletrônicos. O Archeobrush também foi pensado para ser acessível: o custo estimado de fabricação é inferior a R$ 16. “Não existe ainda no mercado um projeto como este, então ele é totalmente único”, informa Gisele.
recorrente nas escavações arqueológicas e na limpeza
de materiais frágeis ou históricos
Outro diferencial do projeto é que ele foi disponibilizado em open source, permitindo que qualquer pesquisador possa reproduzir o equipamento. Por meio de um QR Code, os interessados podem acessar os arquivos de impressão 3D e as instruções de montagem.
A competição
A Young Inventors representará o Brasil na FIRST Championship, mais conhecida como o Mundial de Robótica que será realizado em Houston, nos Estados Unidos. Esta é a primeira vez que a equipe compete em um campeonato internacional. O time conquistou a vaga após uma performance de destaque no Festival Nacional Sesi de Robótica, realizado entre os dias 05 e 08 março, em São Paulo.
Em São Paulo, as estudantes conquistaram o 2º lugar no Champion’s Award, uma das premiações mais importantes do torneio, que reconhece equipes que se destacam no desempenho técnico, nos valores como trabalho em equipe e inovação. Agora, as meninas se preparam para subir ao pódio do mundial e mostrar que em Mato Grosso há estudantes mulheres trilhando o caminho da tecnologia e inovação, de olho nos desafios da indústria do futuro.
Texto: Fernanda Nazário



