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Gestão de terceiros ganha protagonismo no SSTrends e acende alerta para riscos trabalhistas nas indústrias

24/04/2026 - 16h08
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Adriano Dutra, sócio-diretor da Adutra Consultoria,ressaltou
que a gestão de terceiros no Brasil não é um conceito novo

Rondonópolis recebeu, nesta quinta-feira (23), a conferência SSTrends – Construindo Ambientes Saudáveis e Operações Seguras, promovida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi MT). Reunindo especialistas de renome nacional, empresários e profissionais da indústria, o evento trouxe à tona um tema cada vez mais estratégico para o setor produtivo: a gestão de terceiros.

Em meio ao avanço da terceirização nas empresas brasileiras, o assunto ganhou destaque na programação ao evidenciar os impactos jurídicos, operacionais e financeiros relacionados à falta de controle sobre prestadores de serviço.

Conduzido por Adriano Dutra, sócio-diretor da Adutra Consultoria, a oficina ressaltou que a gestão de terceiros no Brasil não é um conceito novo, é consolidado desde os anos 2000, mas vem passando por transformações significativas. O modelo evoluiu de processos manuais para sistemas informatizados e, mais recentemente, entrou em uma nova fase impulsionada pela inteligência artificial.

“Essa evolução permite que as empresas deixem de atuar de forma reativa e passem a adotar uma postura preventiva. Na prática, a gestão de terceiros envolve o monitoramento contínuo do cumprimento de obrigações trabalhistas, previdenciárias e de segurança por parte das empresas contratadas, reduzindo riscos de passivos”, explica Adriano.

Com o apoio da tecnologia, o tempo de resposta também mudou. Adriano conta que situações que antes levavam meses para serem identificadas agora podem ser detectadas em até 48 horas, aumentando a capacidade de tomada de decisão e mitigação de riscos.

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Margarete Helena Azeredo Pires, acredita que o tema reflete
uma preocupação prática dentro das empresas

O cenário atual reforça a urgência do tema. Dados da Justiça do Trabalho apontam que, apenas em 2025, foram registradas mais de 2,3 milhões de novas ações trabalhistas no país, com impacto financeiro estimado em R$ 50 bilhões. A curva crescente desses processos indica falhas na prevenção e amplia a necessidade de estratégias mais robustas de gestão.

Outro ponto de atenção é o volume de trabalhadores terceirizados dentro das organizações. Em grandes empresas, eles podem representar até 40% ou 50% da força de trabalho, o que amplia a responsabilidade da contratante sobre possíveis irregularidades.

“Não é possível controlar o que não se conhece. Planejar bem a terceirização e estruturar um processo de gestão é fundamental para evitar riscos e garantir uma operação segura”, alertou Adriano durante o evento.

Além do caráter fiscalizatório, a gestão de terceiros também foi apresentada como uma ferramenta de orientação. Diante de uma legislação complexa e em constante mudança, o acompanhamento contínuo contribui para que fornecedores se mantenham em conformidade e fortaleçam sua atuação no mercado.

Para a técnica de segurança do trabalho da Bom Jesus Agropecuária, Margarete Helena Azeredo Pires, o tema reflete uma preocupação prática dentro das empresas. “Nós temos muitos trabalhadores terceirizados e, junto com a empresa contratada, também assumimos responsabilidades. A palestra trouxe clareza sobre os cuidados que precisamos ter, principalmente em relação aos encargos e à segurança do trabalho”, destacou.

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Programação do SSTrends segue para outras regiões do estado

Riscos psicossociais relacionados ao trabalho

A conferência também abriu espaço para outro tema sensível nas organizações: a saúde mental. Com as atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passam a ter caráter punitivo a partir de maio de 2026, o psicólogo, mestre em psicologia pela USP e especialista em saúde mental corporativa, Luckas Reis reforçou necessidade de olhar para os riscos psicossociais de forma estratégica.

“A proposta é tirar a NR-1 do campo da obrigação e enxergar como uma ferramenta para melhorar o ambiente de trabalho, reduzir custos com afastamentos e aumentar a eficiência. Quando a empresa investe em saúde mental, ela fortalece o próprio negócio”, destacou Luckas.

Na avaliação de participantes, como Rafaela Lima, da Tornearia Rondonópolis, o conteúdo apresentado contribui diretamente para a melhoria do ambiente de trabalho. “É um tema muito importante para prevenir e ajudar os colaboradores. Foi uma palestra esclarecedora, que vou levar para a empresa”, afirmou.

Próximas etapas

A programação do SSTrends segue para outras regiões do estado, com encontros em Sinop, nos dias 29 e 30 de abril, ampliando o alcance das discussões e fortalecendo a cultura de saúde e segurança no trabalho em Mato Grosso. A participação é gratuita.

Texto: Fernanda Nazário

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